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No meu último texto sobre filmes falei sobre meu receio em rever um filme que gostei na primeira vez, afinal não dá para saber se vamos gostar novamente. Já em "Vem Dançar", com Antonio Banderas, meu receio é falar mal, muito mal sobre esse filme B. B de bom, mas apenas isso.

Na verdade o problema não é a canastrice do banderas, nem a fotografia. Ao final da exibição, é atendido o objetivo de deixar o espectador sair feliz. É um autêntico filme pipoca. Apesar de não merecer estar na minha prateleira especial de filmes de dança, está logo abaixo.
O ponto principal é a ausência de detalhes que tanto elogio em filmes como "Sob a Luz da Fama" ou "Dança Comigo?" (japônes). E existe um detalhe (ou dois) que tira qualquer boa-vontade com esse filme. Leiam a sinopse oficial, abaixo.


"Antonio Banderas estrela Vem Dançar, um drama inspirado na história real de Pierre Dulaine, um professor e competidor que ensina dança de salão como voluntário a um grupo variado de alunos do ensino médio de uma área carente do centro de Nova York, mantidos de castigo. A princípio, os alunos estão desconfiados quanto a Dulaine, principalmente quando descobrem que ele está ali para ensiná-los a dançar, mas seu comprometimento e dedicação inabaláveis pouco a pouco os inspiram a abraçar o programa. Na verdade, eles chegam a levar a idéia um passo adiante, combinando a dança clássica de Dulaine com o estilo e a música hip hop, criando uma fusão única e cheia de energia. Quando Dulaine se torna um mentor para seus alunos, muitos dos quais não tiveram muito pelo que lutar em suas vidas, ele os motiva a aprimorar suas habilidades para uma competição de dança de salão de muito prestígio da cidade e, em troca, eles compartilham valiosas lições sobre orgulho, respeito e honra."

A história real de Pierre Dulaine, na qual o filme é baseado, é uma lição de vida. Um profissional que busca ajudar o próximo mesmo sabendo do trabalho que virá e que não tendo obrigação alguma, não desiste.
Mas Dulaine deu azar no cinema. Sua história, apesar de exemplar, é umas das mais batidas na indústria cinematográfica. Se você vê filmes com frequência, com certeza já assistiu algum onde um professor consegue ajudar seus alunos a crescerem como pessoas e aprenderem coisas importantes, seja com basquete, matemática, inglês, natação etc. Para piorar, no quesito dança, quantos filmes você já viu onde a dança em questão tem que lutar para ficar ao lado do Hip-hop ? Em um filme onde os únicos detalhes são esses temos que tentar conferir então a qualidade da dança. Mas o que vemos é um Banderas com desempenho de um famoso da Dança dos Famosos, do Faustão. Embora, tenho que admitir, ele engane muito bem.

Para se ter idéia do que essa sinopse oficial e o trailer são capazes, leiam abaixo minha crítica antes de eu ter assistido, em 2006, pela primeira vez esse filme.

"Filme sobre dança de salão "Vem Dançar (Take The Lead)". Não gaste com entradas de cinema! Esse é mais um filme do tipo "professor assume turma de desajustados e coloca-os no bom caminho", só que dessa vez ao invés de história, matemática ou basquete o que é ensinado é dança de salão. Esse filme não está aos pés de um Baila Comigo (japonês) ou do australiano Vem Dançar Comigo, e nem a fotografia merece uma tela de cinema (quase nenhuma merece). Mas como somos fanáticos por dança de salão não podemos deixar de assistir. Esperem chegar nas locadoras pois assim poderemos voltar e repetir as cenas de dança para poder elogiar ou malhar o Banderas. Marco Antonio Perna (antes de assistir ao filme em 2006)"
"Após assistir reitero minha opinião de que é mais um filme sobre um tema batido e que não será nunca uma referência cinematográfica para a Dança de Salão, embora seja um filme "assistível". Marco Antonio Perna (após assistir ao filme em 2006)"



No filme, tirando os profissionais de ballroom dancing, os alunos do Banderas tem péssimo desempenho porque com apenas um ano de dança competem com profissionais com anos de estrada. Custava coloca-los em nível iniciante na competição ? Como terá sido a história real ? Ou seja, somente detalhes ruins. Qual a moral do filme ? Que tanto busco em filmes de dança ? Prefiro ficar com a lição de vida do verdadeiro Pierre Dulaine, um profissional de dança que colocou seu conhecimento em prol do encontro da cidadania por adolescentes que não tinham tido oportunidade. No Brasil vemos isso em diversos projetos sociais que levam música, dança, artesanato e diversos outros tipos de ensinos em comunidades carentes ajudando crianças e adolescentes a encontrarem um bom caminho.

No filme é abordado também o preconceito de ambas as partes entre os mais abastados e os menos favorecidos, mas não acho que o assunto tenha sido bem desenvolvido.
Desistiu de ver o filme ? Não faça isso! Simplesmente desligue seu senso crítico e assista sem esperar nada. Talvez até você goste do filme depois de ler minhas palavras, justamente porque se preparou para o pior e o filme saiu melhor que o esperado. Existem cenas ótimas também, que compensam a falta de detalhes. Acho até que estou ajudando as pessoas a gostarem do filme com minha crítica. Podem me malhar depois de assistirem. Deixem seu comentários em meu blog.

Rio de Janeiro, 21/12/2009
Marco Antonio Perna
www.pluhma.com/blog
www.dancadesalao.com/agenda

Artigo publicado em Jan/2010 na edição 27 do jornal Falando de Dança, do Rio de Janeiro.
http://issuu.com/dancenews/docs/ed-27---completa-para-leitura/08

Veja a página do filme e trailers clicando aqui.

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Em meu livro "Samba de Gafieira - a história da dança de salão brasileira", dedico duas páginas a essa grande orquestra. Agora em 2009 fomos brindados com um livro inteiro de 336 páginas sobre ela. Não deixem de ler.




Resenha (da capa do livro)

Criada em 1933, a Tabajara é a mais famosa orquestra popular brasileira, a mais longeva e um dos mais férteis celeiros de grandes instrumentistas do país. Inspirada nas big bands americanas, foi decisiva para a modernização da música brasileira. Em A Orquestra Tabajara de Severino Araújo - a vida musical da eterna big band brasileira (Companhia Editora Nacional), o autor Carlos Coraúcci narra a irresistível história, humana e musical, desses grandes craques da música, coroada pelo sucesso de crítica, reconhecimento de seus pares e, fundamentalmente, pelo sucesso de público.

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Marco Antonio Perna

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Com a tarefa de escrever este texto, coloquei "Sob a Luz da Fama" em meu aparelho de DVD, ciente de que sempre elogio esse filme, de que é dos mais requisitados pelos amantes de ballet da última década (amantes esses que elegem como segunda opção "Billy Elliot") e que vi muitos anos e filmes atrás. Tenho medo, muito medo da magia se perder. Uma coisa é você ver um filme e se surpreender (como eu na primeira vez que o assisti), outra é ciente de tudo isso não saber o que sentirei.
O filme começa morno, nada espalhafatoso como as últimas produções de hip-hop-ballet que assisti. O medo aumenta mas em contrapartida começo a notar coisas que não lembrava mais. Somos humanos, esquecemos dos detalhes. E são esses detalhes que chamam minha atenção agora. O carisma de uma bailarina se sobrepondo a sua técnica de dança, o esforço para amaciar as sapatilhas e proteger os dedos dos pés, a descoberta de quem é gay ou hetero entre os bailarinos, os problemas enfrentados como bulimia e anorexia, a cobrança e transferência de objetivos que os pais fazem, a escolha de caminhos etc.

Uau, quantos detalhes. Outro filme que eu elogio muito é a versão japonesa de "Dança Comigo?" por ser exatamente cheio dos detalhes que eu como amante da dança de salão conheço tão bem. Um filme de dança não pode ficar só na dança. Tem que explorar exatamente esses detalhes e mesmo que inconscientemente, garanto que a maioria que elogia esse filme o faz em grande parte em função desses detalhes. Recordo de outro filme de dança de salão cheio de detalhes, o "Baila Comigo - Marilyn Hotchkiss Ballroom Dancing and Charming School" que adorei e os verdadeiros amantes da dança de salão também. É verdade que teve muita gente, até da mídia especializada, que não gostou por quase nao ter cenas de dança explícita. Sinceramente, nada a falar a respeito... Mas, um filme não precisa ter grandes apresentações de dança para ser muito bom e ser explicitamente de dança, ainda mais dança de salão que é "gente como a gente".

"Sob a Luz Da Fama" é assim, tem muitos detalhes que quem pratica ballet percebe com carinho, saudade ou consternação, e quem não pratica vê e aprende como é esse ambiente. Calma pessoal, não se assustem, "Sob a Luz Da Fama" é repleto de ótimas cenas do melhor ballet. Coreografias de gente do calibre de George Balanchine, fielmente encenadas, corpo de baile profissional, atrizes principais com anos de prática de ballet, em especial atenção a Zoe Saldana que após esse seu primeiro filme tem crescido no cenário cinematográfico e fez recentemente o papel da Ten. Uhura no novo Star Trek. E, claro, os bailarinos profissionais como Ethan Stiefel (que realmente já foi primeiro bailarino do American Ballet Academy) e Sascha Radestsky. Bailarinos que não fazem feio se colocados ao lado de Baryshnikov ou Nureyev. Isso tudo somado com apresentações lindas e bem produzidas, ao som de Dom Quixote, Lago dos Cisnes ou Quebra-nozes, faz com que qualquer um lembre desse filme para sempre, mesmo que esqueça os detalhes.
Mas não podia faltar dança de salão, desde a cena rápida do canastrão Peter Gallagher, até a salsa (tinha que ser) dançada num clube noturno pelos alunos da escola de dança. Só me dei conta da idade do filme quando vi as Torres Gêmeas no cenário de Nova York, é um filme pré 11 de setembro, lançado em 2000.
Eu sempre gosto de identificar em um filme de dança sua mensagem principal e sem dúvida em "Sob a Luz Da Fama" essa mensagem é a escolha do seu caminho na dança e na vida. Muitas vezes, o caminho que temos que seguir não é o que inicialmente gostaríamos, mas temos que ter em mente que a escolha tem que ser com o coração, pois quando fazemos algo com gosto com certeza a vida sorri. Embora saibamos que na vida real nem sempre isso ocorre, o filme nos mostra que geralmente é o melhor caminho.
Tarefa cumprida, muito feliz, recoloco na prateleira dos filmes de dança de primeira linha, ao lado dos que citei neste texto.

Rio de Janeiro, 16/11/2009
Marco Antonio Perna
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Artigo publicado em Dez/2009 na edição 26 do jornal Falando de Dança, do Rio de Janeiro.
http://issuu.com/dancenews/docs/ed-26---completa-para-leitura/07

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Preconceito. É, preconceito. Palavra feia. No Brasil pensamos logo em preconceito racial com os negros. Peraí, pensamos não carapálida (cadê o hífen?), muita gente pensa, porque eu penso em várias formas de preconceito além dessa. Do gordo desde o maternal ao homossexual fora do carnaval, do feio na entrevista de multinacional ao pobre na entrada social.

Pois bem, é esse o ponto chave de "Billy Elliot". Apesar da preferência do pai pelo boxe, o pequeno Billy acaba se interessando por balé (ballet). Embora ambientado em um ambiente social machista, uma comunidade de mineiros na Inglaterra, "Billy Elliot" surpreende e comove, já que Billy recebe total apoio da família. Mas, claro, para receber esse apoio, muitos preconceitos precisam ser superados.

Você acha que é só em países de terceiro mundo existem comunidades inteiras com pouco estudo e nenhuma perspectiva de crescimento social ? Que é necessário ser descendente de escravo para isso ? Pois reveja seus conceitos. Tal como aqui ocorre nas comunidades carentes, na Inglaterra (e em outros países europeus) existem classes de trabalhadores onde a falta de cultura impera, onde a visão do mundo é estreita e onde existem todos os tipos de preconceito.

No caso de "Billy Elliot" nem é necessário dizer que a família de Billy inicialmente imagina que ele está virando homossexual. Entre mineradores, que ralam, fazem greve, piquetes e se orgulham de que homem joga futebol, luta boxe ou luta livre, balé TEM que ser coisa de bicha. Mas, convenhamos, até por aqui a maioria iria pensar parecido. Até com relação a dança de salão tem gente por aqui que imagina ser coisa de bichona. Imagina num país austero como a Inglaterra. Hum, será preconceito meu com os ingleses ?

"Billy Elliot" nos dá uma lição de superação, onde o menino talentoso que demonstra desde cedo sua necessidade de expressar-se artisticamente, seja tocando piano ou dançando, nos mostra que ser sensível não é necessariamente ser gay, mas se preocupar com a avó doente, chorar ao se lembrar da mãe e se expressar sem vergonha de ser feliz.

Ele não entra no balé de caso pensado. Entra deixando a vida o levar, como diria nosso poeta. Claro que depois precisa batalhar muito, porque nada é de graça. Aos poucos vai se conhecendo e ajudando a própria família a rever seus conceitos. Em certas ocasiões é necessário descer ao fundo do poço para que o confronto com a realidade permita a mudança de valores pré-estabelecidos. O balé em "Billy Elliot" nos mostra como a dança pode ajudar uma família inteira com o envolvimento proporcionado e não ser uma ajuda apenas a quem faz a dança.

Preconceito ? Não, preconceito não, mas SUPERAÇÃO. É isso que "Billy Elliot" nos mostra. Superação não só nas dificuldades da dança, como vemos em vários outros filmes desse tema, mas superação em cima de preconceitos, da extrema dificuldade financeira e do nível cultural familiar. É possível sim, sair de uma comunidade carente e alcançar o sucesso no balé. Em nosso país mesmo já foi noticiado casos de bailarinos que saíram de comunidades e foram para importantes balés internacionais.





Lago dos Cisnes prá cá, Lago dos Cisnes prá lá (sempre maravilhosamente), mas feliz mesmo fiquei ao ver e ouvir Fred Astaire cantando e dançando como inspiração ao sapateado de Billy. É, Billy também sapateia. Não entendi bem porque, mas se foi só para inserir Fred Astaire no filme já é um ótimo motivo.

Ah, vale tentar reconhecer o ator de Billy, Jamie Bell, como o rapaz Jimmy em King Kong de 2005 e o amigo nerd no filme Jumper de 2008. Eu admito, não tinha reconhecido quando assisti esses dois filmes. Uma vergonha.

Rio de Janeiro, 19/10/2009
Marco Antonio Perna
www.pluhma.com/blog
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Artigo publicado em Nov/2009 na edição 25 do jornal Falando de Dança, do Rio de Janeiro.
http://issuu.com/dancenews/docs/ed-25---completa-para-leitura/07

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Opiniões/Comentários



Danço há 6 anos e para resumir a contribuiçao desse filme para a
dança de salao eu destaco a famosa cena de "tango" com uma loira que so serviu para confundir ainda mais o ser nao dançante a respeito do que é realmente tango. Deprimente.
Adorei sua comparaçao da atuaçao do Bandeiras com os famosos
do dança dos famosos. TUDO a ver. Parabens.

Vale a pena ver o filme Vem Dançar

Dê uma folga para o rigor crítico, relaxe na poltrona, solte a emoção. É a sugestão para saborear este saudável, edificante e gostoso filme. Sobretudo porque é um verdadeiro hino de amor à dança de salão. Em “Vem Dançar” (Take the Lead), com estréia dia 15 de junho, o ator Antonio Banderas fala tudo aquilo, e mais um pouco, que todos nós, que amamos e praticamos a dança de salão, não cansamos de repetir: é uma fonte de felicidade e pode sim operar transformações fundamentais na vida das pessoas, não importa a idade, sexo e classe social. O roteiro e a montagem resultaram num filme simples, linear e previsível. Mas de forte conteúdo social e cercado das melhores intenções. É a história de um professor e dono de academia que decide fazer um trabalho social, recuperando através da dança de salão estudantes de uma escola pública de Nova York que vivem na marginalidade. Aquela linha do professor altruísta enfrentando com coragem e nobre paciência a resistência de alunos rebeldes, contestadores e indisciplinados. Já explorada por Hollywood em dezenas de filmes sobre jovens e instituições escolares, sobretudo com ingredientes da luta racial. A diferença é que neste a matéria não é matemática, história ou geografia. É dança a dois, vista com preconceito e deboche por praticantes do hip hop e também por educadores mal informados. Chama a atenção que os protagonistas estão apresentados como as pessoas reais, há os bonitos e os feios, os bem e os mal vestidos, os abonados e os pobres, quem dança bem e quem dança mal. São pessoas que a gente poderia encontrar num baile ou academia. Por ser um filme claramente dirigido a quem gosta de dança de salão, a direção de Liz Friedlander fica devendo à nossa gulodice: poderia ter mostrado ainda mais dança, sem abusar tanto dos cortes de efeito. Ninguém reclamaria.
O lançamento de “Vem Dançar”, (o nome já um convite, a exemplo do título deste jornal, ainda bem que criado muitos anos antes), chega num momento muito bom da dança de salão, somando com o estímulo, já em curso, proporcionado pela TV em variados programas, principalmente a “Dança dos Famosos”, do Faustão. Merece ser visto e recomendado aos amigos.

Milton Saldanha - Jornal Dance 128, junho de 2006

 

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