
Triste fico. Fico e como fico. Não sei se não tomei conhecimento desse ótimo curta de animação na época do lançamento por não estar frequentando o meio do tango aqui no Rio ou por não estar prestando atenção aos bons lançamentos na área de animação.
Esse lindo curta foi lançado em 2006 na França e não sei como não ganhou nenhum prêmio importante, afinal, a comunidade de animação sabe a dificuldade de ser fiel ao movimento humano e isso torna-se um desafio numa animação de dança e especificamente no tango.
Fiquei sabendo através da coluna da Cora Rónai no "O Globo", de 22/12/2008, onde ela indicava e dizia se tratar de animação stop-motion. Quando li fiquei supercurioso, afinal, stop-motion é uma das técnicas mais antigas e trabalhosas, com resultados maravilhosos ou pavorosos. O filme King Kong de 1933 chegou a ganhar prêmios com a animação em stop-motion da briga do gorilão com os dinossauros. Hoje essas cenas são bizarras... Recentemente outros diretores usaram a técnica, como no filme de "massinha" Wallace e Gromit e no ótimo filme "O Estranho Mundo De Jack"
Porém ao assistir o curta vi que não poderia ser stop-motion. Estava perfeito demais, com cara de animação digital. Se for stop-motion é obra de gênio, mas não acredito que seja, ainda mais que só achei uma referência não confiável a respeito na internet e dezenas de referências não falando em stop-motion. É animação digital mesmo, mas se alguém conseguir uma prova, por favor, informe.
O curta retrata como um trágico acidente não pode impedir um casal de se enlaçar num tango ("a tragic accident cannot stop a couple from embracing the tango", talvez o jogo de palavras explique a confusão com stop-motion). Aliás o tema acidente e dança é recorrente no lixo "Rumba".A dança, o tema, o clima, tudo remete ao tango argentino. Acertaram a mão, embora eu esteja começando a achar que em tango é difícil errar na mão, só nos pés...
Está na hora de alguém fazer algo cinematográfico para o nosso samba de gafieira.
Vocês podem ver o curta em:
http://www.entusbrazos.fr/
Rio de Janeiro, 01/08/2009
Marco Antonio Perna
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A mente humana é prodigiosa, porém ao mesmo tempo cega. Podemos ir a Lua, descer aos abismos marinhos, criar arte, ciência e literatura. Mas a fome, a guerra e a injustiça continua, provavelmente enquanto o Ser Humano existir. Dito isso podemos entender a maravilha tecnológica que está por trás de um disco bluray, que vemos embasbacados nas lojas de departamentos nos últimos 2 anos em TVs LCD FullHD, com imagens de demonstração de cair o queixo para quem estava acostumado com a TV comum e mesmo DVD com progressive scan.Mas essa é a maior propaganda enganosa dos últimos tempos na área de vídeo. Essas imagens são feitas com filmadora digital fullHD mas são filmadas com intuito justamente de mostrar a nitidez da nova resolução do vídeo, tomadas lentas, alto bit-rate etc. A própria TV digital que estreou no Rio esse ano não é fullHD, ela é fullHD com vídeo entrelaçado o que diminui a qualidade do vídeo. O discos bluray realmente fullHD não transmitem a mesma sensação de nitidez que os vídeos de demonstração transmitem. E a causa é a forma como o cinema é feito, justamente a granulação da película.
Claro que essa imagem dá ao filme um ar de cinema e muitas vezes é essencial a ele, tanto que mesmo que se migre para vídeo digital no cinema, com certeza teremos muitos diretores que usarão efeitos que simulem a granulação. Ou seja, como geralmente quem pensa em comprar um aparelho bluray está pensando em ver filmes, a decepção é eminente, caso ele desfrute da totalidade de seu aparelho de DVD é claro. A diferença entre DVD com progressive scan com boa masterização e um bluray não é gritante, não como foi a diferença entre VHS e DVD e não como é a diferença entre TV normal e TV digital fullHD mesmo com vídeo entrelaçado. E isso vendo numa TV LCD FullHD de 42 polegadas para cima, se for numa TV comum de 29 polegadas, mesmo progressive scan, não tem a menor diferença entre DVD e bluray.
Isso sem levar em consideração que a grande maioria da população acha linda a imagem na loja de departamento mas quando vai instalar em casa o bluray na TV FullHD de 52 pol. com "técnico" amigo, fica toda feliz com a imagem produzida com o cabo comum de vídeo que era do VHS ou do DVD que o técnico aproveitou, ou mesmo não configura direito os equipamentos.
Tem bastante tempo que tenho essa opinião, mas só hoje ao assistir ao filme O Labirinto do Fauno em bluray é que tive a certeza e prova. O filme é classificado na categoria dos blurays com melhor qualidade de vídeo, mas o que eu vi na tela não me deixou com a certeza de que o bluray é muito melhor que DVD. Fiquei com a impressão que eu não ficaria menos feliz assistindo em DVD. E o filme não apresenta granulação excessiva, o único defeito é ser um filme a maior parte do tempo escuro para dar um ar de ambiente sombrio. Nunca gostei de filmes escuros, sempre achei que se pode usar outros recursos para atingir esse objetivo e deixar escuro apenas uns 30% do filme e não 50% ou mais. Obviamente a qualidade da imagem se perde, ponto para o DVD pois menos vai se notar a diferença.
A imagem estática (um frame) do Labirinto do Fauno tem realmente uma qualidade muito boa, mas na exibição do filme não se nota. Já o filme O Clã das Adagas Voadoras tem a pior classificação de qualidade de vídeo em bluray, e comparando a imagem estática com a do DVD se nota que ambas são ruins e o DVD é apenas um pouco pior. Mas na exibição do filme essa baixa qualidade some, as cores e claridade da imagem tornam o filme belíssimo, e a granulação está lá, nesse caso ajudando um filme de baixa qualidade de imagem a ficar belo. Ou seja, a granulação ajuda filmes com baixa qualidade de imagens, e os DVDs, a serem vistos em TVs FullHD com a sensação de boa imagem, já filmes com excelente qualidade de imagem perdem a sensação de qualidade com a granulação e com a escuridão nos filmes. Filmes codificados em Divx também ganham qualidade com a granulação, mas a perdem com filmes escuros.
Ainda não encontrei um filme que me deixe satisfeito ao assistir a versão bluray. Acredito que filmes como O Clã das Adagas Voadoras poderiam deixar caso tivessem a imagem excelente, pois mesmo com a imagem "ruim" esse filme tem uma imagem ótima.Pelo menos consegui assistí-los com legenda em português pois meu equipamento é um HTPC e baixei um programa player de legendas apenas e com as legendas .srt desses filmes pude sobrepo-las nos dois filmes. O problema foi só perder uns 10 minutos até acertar a sincronia da legenda porque são programas independentes e tem-se que clicar num e no outro rapidamente para não dar diferença de sincronia. Fora o problema de achar legenda boa e que tenha sincronia compatível.
Assisti com disco original, acredito que americano, numa TV LCD FullHD de 42 polegadas. Os demos fullHD que baixo da internet tem esses sim, imagens de babar. Tem da pioneer, samsung, toshiba etc. E olha que são arquivos baixados....
Aliás, assisti no cinema o último Harry Potter e não babei com as imagens. Achei bem fraco tanto na história como nas imagens. Já a era do gelo achei ótimo, mas animação é fácil ter imagem boa.
Já Star Trek gostei e isso apesar de ter visto no cinema do Rio Sul, no Rio, que é uma grande porcaria com tela pequena.
Ah, assisto com 2,5 m de distância. Se eu ficar em 1m realmente a diferença fica gritante entre os dois filmes, mas a escuridão continua incomodando e provavelmente mesmo no cinema eu não babaria, como não babei com Harry Potter...
Pelos trailers que tenho visto parece que o último Narnia é espetacular. Mas como vi no cinema não pretendo ver tão cedo. Além de bem nítido e claro, embora com pequena granulação, as imagens da noite ou sombrias são bem claras e não incomodam. Esse tipo de recurso para as partes escuras do filme é que deviam ser mais utilizados.
Ainda lembro de ver filmes antigos na década de 1970 na sessão da tarde e como era ruim ver alguns escuros na telinha....
Rio de Janeiro, 19/07/2009
Marco Antonio Perna
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Filme recém-lançado no circuito, não tive o prazer, ou desprazer de ver. Pesquisei na internet e achei trailer, sinopses e vários comentários. Vou transcrever duas sinopses e depois comentar.
"Professores de uma escola rural, o casal Fiona e Dom têm uma paixão em comum: danças latinas. Uma noite, após uma competição vitoriosa de dança, eles sofrem um acidente de carro e veem suas vidas mudarem completamente."
"Um casal de professores de escola primária tem uma paixão em comum: a rumba. Quando voltam de um concurso de dança, um acidente acaba mudando completamente suas vidas, mas isso não impede que eles superem o acidente e lidem de forma positiva. Escrito, dirigido e protagonizado pelos atores Dominique Abel e Fiona Gordon, esta comédia francesa muito pouco convencional tem influências do cinema mudo e outras referências muito, mas muito, Cults. Divertido e com ótimas vinhetas nos cinemas, “Rumba” é descontraído e super “pra cima”. Mas não deixa de ser pra lá de alternativo."
Talvez alguns de vocês não saibam, mas além de analista de sistemas e pesquisador, gosto muito de filmes, sou colecionador de filmes de dança e por conta disso tive por três anos e meio uma locadora de DVDs. Saí antes da crise. Bem, a locadora me deu a experiência de saber ler as entrelinhas das sinopses e características de filmes, além da compreensão de qualquer que seja o lixo de filme, sempre vai ter gente que adora, bem como existem obras-primas que todos adoram, mas com certeza tem alguns que realmente não gostam.
Com relação as duas sinopses, a primeira é a sinopse correta, no sentido de retidão, informa o que tem que dizer e pronto. Eu poderia dizer que é ótima para filmes ruins, mas, embora seja verdade é uma característica que deve ser utilizada para filmes bons e ruins. A segunda sinopse é a aquela que induz ao leitor a pensar que o filme é bom. Reparem que usa um acidente e a palavra positiva depois, dando idéia de uma coisa bacana. Depois "enche linguiça" com os nomes dos atores (desconhecidos para o mundo), depois diz que o filme é francês para chamar o público que gosta desse tipo de filme. Só que como falaram tão bem, precisam se aprofundar mais e começam as "pegadinhas". A primeira é que o filme é "pouco convencional", a segunda que é "cult", depois elogia novamente e tasca mais uma pegadinha: "pra lá de alternativo". Parece que estou com má vontade...
Mas, não, o problema é que como dono de locadora eu recebia revistas e prospectos das distribuidoras de filmes e NUNCA nesses textos existia filme ruim. O pior filme jamais feito era descrito como a segunda sinopse acima. Obviamente o objetivo deles é vender filme goela abaixo da locadora que depois não pode empurrar da mesma maneira pro cliente sob o risco de perde-lo. Conclusão: sinopse nojenta... Mas não quer dizer que o filme seja realmente ruim, pois qualquer filme eles descrevem desse jeito, porém quanto mais pegadinhas e elogios tem, maior a probabilidade do filme ser ruim.
A próxima coisa que fiz foi ver os comentários que bateram em sua maioria com a impressão que tive. Todo mundo malhando o filme e uns poucos elogiando. Mas será que o público que malhou era o público alvo do filme ?? Realmente não sei. Mas analisando os comentários confirmei que o filme é a chamada "comédia de erros" misturada com "humor negro", que muita gente detesta e uns tantos adoram. Parece que repetiram gags do Mr. Bean por ser um filme com passagens de cinema mudo, ou seja, não inovaram. Vi o trailer e não me animei. Mas claro, assim que der eu e todos que gostam de dança de salão não podem deixar de assistir. Até depois da sessão. bye.
Rio de Janeiro, 08/03/2009 - Marco Antonio Perna
Acabei de assistir "Rumba" e devo admitir que superou minhas espectativas, cheguei a ficar feliz quando terminou.
Porém essa superação não foi positiva. Estou com 44 anos e até meus 35 eu só tinha desistido de assistir o filme russo Solaris quando eu tinha uns 15 anos, e olha que foi no cinema, sai na metade. Um filme pode ser muito chato que normalmente vou até o final. Humor-negro e comédia de erros acho por demais sem graça, evito assistir. Filmes do diretor Robert Altman também evito porque necessito que um filme tenha início, meio e fim (o filme "De Corpo e Alma" sobre ballet é dele). Mas Rumba é um filme MUITO cult, MUITO alternativo e por aí vai....
É uma comédia de erros, em alguns momentos, como o Mr. Bean. Mas compará-lo com Mr.Bean é até uma ofensa ao Rowan Atkinson. É realmente um filme com pouquíssimos diálogos, e isso não é demérito para filme algum, vide "A Última Ceia" com Halle Berry, que é um filme praticamente sem diálogos mas que consegue dizer muita coisa a cada cena. É verdade que é um drama, drama, mas um bom drama. Mas Rumba é grotesto, tem atores que além de feios, se fazem de feios. A dança é completamente supérflua, o filme não necessita dela para ficar melhor ou pior, poderia ser retirada que não ia fazer a menor diferença. Não é um filme sobre dança, apesar do casal competir no início do filme e dançar em vários momentos. Chega a ser deprimente ver um filme assim, não que deprima o espectador, mas o deixa desconfortável com o ridículo que os atores passam. A grande felicidade no final é de que o filme tem apenas 70 minutos e você fica feliz porque acabou. Nunca pensei que eu pudesse dizer que quem não ver esse tipo de filme de dança não perde nada, e nem obrigação tem de ver, como sempre digo. Simplesmente deprimente...
Rio de Janeiro, 05/06/2009 - Marco Antonio Perna
Artigo publicado em Mar/2010 na edição 29 do jornal Falando de Dança, do Rio de Janeiro.
Veja a página do filme com trailer clicando aqui.
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Finalmente um novo filme com a temática Dança de Salão. "Love n' Dancing" lançado em 2008 nos EUA, mas ainda sem previsão de lançamento no Brasil. É protagonizado por Amy Smart (Efeito Borboleta, Adrenalina, Starsky E Hutch - Justica Em Dobro), os atores-dançarinos Tom Malloy e Nicola Royston, especializados em West Coast Swing (dança derivada do Lindy Hop, parente do nosso soltinho), e com a participação do "famosíssimo" Billy Zane.
"Jake é o campeão mundial de West Coast Swing, defendendo seu título. Ele tem tudo: Visual, personalidade e estilo. O problema é quando conhece Jessica, uma professora de inglês. Jake conseguirá manter a coroa e ganhar a gata ?"
Bem, espero que o filme chegue pelo menos em DVD. Veja o link para o IMDB dele.
Página do filme clicando aqui.
Rio de Janeiro, 06/03/2009
Marco Antonio Perna
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