
Rob Marshall, gravem profundamente na memória esse nome. Sempre que o virem associado com a direção de filmes musicais, fujam.
Não que eu queira tocar horror e malhar "Nine" e nem afirmar que Rob é um péssimo diretor. Sua pequena filmografia conta com a direção de "Chicago", seu segundo filme, que assisti no cinema e me segurei para não sair nos primeiros 15 minutos. Não sou de desistir de filme, ainda mais no cinema. E não fui o único, notei várias pessoas levantando e saindo. "Chicago" NÃO é o tipo de musical que gosto, e eu adoro os antigos de Fred Astaire, Gene Kelly ou Doris Day, bem como "Grease", "All That Jazz", "The Wall" e mais recentemente "Moulin Rouge". Mas "Chicago" é duro de assistir.
Com "Nine", Rob consegue se redimir, faz um filme "assistível", tenta corrigir as falhas do anterior. E, quase consegue. Falta algo, a receita de musical está toda lá. Mulheres bonitas, números bem feitos em flashes da imaginação do personagem do inglês Daniel Day-Lewis (que está magistral, como sempre e agora com sotaque italiano), não falta mesmo nada da cartilha de musicais. Mas algo não está lá, justamente aquilo que nos faz sorrir ou mesmo chorar em um filme. Simplesmente fica-se querendo que o fim chegue logo. O terceiro filme dirigido por Rob Marshall foi "Memórias de Uma Gueixa", drama que adorei, espero que talvez no próximo musical ele acerte a mão, ou desista de vez do gênero.
"Nine" nos trás lembranças e constatações maravilhosas. Ver a grande dama do teatro inglês Judi Dench, em mais uma brilhante atuação (ao contrário da grande dama do teatro brasileiro que para mim sempre atua do mesmo jeito). Ver a bela francesa Marion Cottilard (e sentir saudades dela, mesmo feia, no maravilhoso musical "Piaf", onde ganhou um Oscar). Ou ainda a sempre linda australiana (apesar de ter nascido no Havaí) Nicole Kidman (e chorar por não a estar assistindo em "Moulin Rouge"). Lembrar que não assisti ao último de Almodovar quando a espanhola Penélope Cruz surge sensual na tela. Ficar feliz ao ver minha caríssima italiana Sophia Loren (e jurar para mim mesmo assistir mais filmes dela). Emocionar-me ao constatar que Kate Hudson está cada vez melhor nas telas e que ela pode dançar em um filme, como sua mãe (Goldie Hawn) fazia. Conhecer a sensual e ótima cantora Stacy Ferguson/Fergie (eu sei, eu sei, estou envergonhado de nunca ter ouvido falar dela antes de ler as primeiras reportagens sobre o elenco de "Nine").
Porque, fora isso, assistir um musical com shows de dança de qualidade técnica duvidosa, é dose. Claro que sei que esses atores não são dançarinos de profissão, e com isso a câmera tem que ser nervosa (saudades dos números de uma tomada só que Fred Astaire fazia, sem closes, mostrando TODA a dança) e os dançarinos do coro não podem ser melhores que os protagonistas. Mas, mesmo sabendo disso fica dificil assistir um musical de dança, onde a dança não tem a qualidade devida. Admito, contudo, que a produção, figurino e coreografias de "Nine" são excelentes, de tirar o chapéu. Tanta coisa maravilhosa, enfim, só faltou aquele algo que fizesse a diferença.
Vale a pena ver ? Vale, mas não espere muito. Se você não gosta de musical, nem tente assistir.
Ah, esqueci, Rob Marshall iniciou a carreira como coreógrafo e diretor em musicais da broadway, sendo indicado a vários prêmios, além de coreografar em filmes também. Curioso, não ?? É capaz de só estar faltando mesmo acertar a mão na direção de filmes musicais.
Rio, 30/05/2010 (após assistir em blu-ray)
Marco Antonio Perna
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